Está mais do que na hora de mudarmos nossa maneira de liderar e desenvolver os
profissionais dentro de uma empresa, se quisermos ter ambientes realmente competitivos.
O contexto em que nos encontramos é absurdamente dinâmico. Não é mais possível
querermos que as pessoas realmente aprendam tão rapidamente por meio do repasse de
técnicas. A mente humana precisa aprender a pensar, pois somente assim
conseguiremos avançar.
Vejo com preocupação ideias e rituais vazios que são constantemente testados por muitas
organizações que não levam em consideração a real capacidade de assimilação e
aprendizado perene.
Um exemplo rotineiro acontece em relação a ineficácia dos processos de treinamento. Nossa
mente necessita passar por 4 etapas para que o conhecimento seja gravado em nossos
neurônios.
(Leia também: 5 dicas para montar o treinamento e integração de novos funcionários)
A primeira etapa é a aquisição de dados, a segunda é a informação que acontece com a
repetição dos dados recebidos, a terceira etapa é o conhecimento que dá significado e
compreensão e a 4a. e última é o saber que acontece quando observa-se, se o
conhecimento está realmente gravado em nossas mentes e pronto para ser utilizado. David
Rock criador da metodologia Neurocoaching esclarece mais sobre isto em seu livro “Não
diga aos outros o que fazer – ensine-os a pensar”.
O que geralmente acontece é que poucas iniciativas orientadas ao desenvolvimento chegam
a última fase e por este motivo precisam ser repetidos várias vezes. Outro ponto impactante
é a falta de conhecimento das pessoas que lideram em relação ao funcionamento do cérebro
humano.
A mente humana precisa aprender a pensar, pois somente assim
conseguiremos avançar.
Palavras como “mudança” e “resiliência” são comuns nos discursos e nos programas de
treinamento. O que não se leva em consideração é que o ser humano não gosta de
mudanças constantes e precisa de um tempo de adaptação para não entrar em conflito.
Quem conhece sobre comportamentos sabe perfeitamente que não adianta simplesmente
pregar a resiliência. É preciso primeiro ver as possibilidades de cada um e as necessidades
disto em cada tipo de trabalho.
(Que tal ler também: No comportamento humano, 1 + 2 pode ser igual a 5!)
Para se sentir confortável em uma determinada empresa o trabalhador precisa estar
conectado socialmente. O cérebro humano é um órgão social e necessita de estímulos
constantes. Nesta condição a preparação das pessoas que lideram é substancial, pois são
elas as principais responsáveis para promover a interação organizacional e a motivação.
De acordo com o francês Jean Bartoli, consultor, filósofo e professor, o trabalho
desinteressante é um mal do capitalismo moderno, onde somente o que importa é o resultado financeiro. Este ambiente na verdade provoca perda a longo prazo, pois pessoas
motivadas trazem mais resultados e as desmotivadas trazem mais problemas.
Quando o pensamento único é o resultado financeiro, como tem acontecido em muitas
organizações de todos os tipos e tamanhos, as pessoas nitidamente ficam em segundo plano
e esquecemos que a prosperidade de uma empresa depende das pessoas que nela
trabalham.
Um fato que evidencia o descaso do modelo em relação ás pessoas é o pavor que muitos
executivos sentem quando chegam a maturidade. Os planos de cargos e salários são
extremamente ameaçadores, pois as empresas precisam ser competitivas na redução de
seus custos. Temos ainda o feedback “estilo sanduiche”, uma prática já desatualizada,
especialmente com as novas gerações, mas utilizada por meio mundo.
O líder do século XXI precisa cuidar das pessoas e para fazer isto deve compreender sobre
comportamentos para extrair o melhor que as pessoas têm dentro de si. Isto garantirá a
próspera sobrevivência de longo prazo.
Quando compreendermos mais sobre as atividades cerebrais e aspirações das pessoas,
conhecendo de fato o que as move, teremos resultados mais promissores.
Não custa ainda reforçar que nosso cérebro não trabalha bem com altos níveis de estresse.
Se não observarmos algo tão obvio, como conseguiremos ter negócios realmente inovadores
e altamente competitivos?