O mundo hoje escorre pelas nossas mãos, escapa por nossos dedos. Tudo muda muito rapidamente. Nada é feito para durar, para ser “sólido”. Temos a sensação a todo momento que tudo se dissipa e que o curto prazo é a única constante. É um mundo de incertezas. E cada um por si.
O que pensar neste mundo? Como agir em um mundo onde se diz que tudo que é sólido se desmancha no ar? Como agir em um mundo onde o tempo assume uma velocidade e a comunicação uma intensidade que quase nenhum de nós consegue acompanhar? Como ser RH e profissional neste mundo líquido que vivemos?
Modernidade líquida é o conceito criado por Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo polonês, considerado um dos principais intelectuais do século XX, que faleceu na segunda-feira (09/jan) aos 91 anos. Uma grande perda.
Eu já vinha acompanhando Bauman há algum tempo, e é incrível como tudo faz sentido. Estamos a todo momento construindo a nossa realidade e desconstruindo as verdades que aprendemos no passado. Hoje a estabilidade é quase que algo fictício, não existe mais. A Instabilidade que é sim real e constante. E, nesse contexto, as organizações precisam se adaptar pra ontem, e o RH tem papel fundamental nessa jornada.
Você já percebeu, por exemplo, quanto tempo o organograma da sua empresa fica sem sofrer alterações? Não sei na de vocês, mas na companhia que eu atuo as mudanças são frequentes. E isso é algo super normal. Estamos nos adaptando e nos reinventando o tempo todo! Isso é liquidez, as coisas não são mais estáticas.
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Para se adaptar a esse novo mundo precisamos ter um forte jogo de cintura. Como RH somos cobrados para construir descrições de cargo belas e robustas, por exemplo. Mas você já percebeu o quanto essas coisas ficam desatualizadas rapidamente? Isso porque tudo muda muito rápido. Imagine se as pessoas fizessem hoje somente aquilo para o qual foram contratadas, sem exceções, sem mais nem menos. Você acha que as empresas ainda estariam funcionando? Você acha que essas pessoas ainda teriam um trabalho? Não, gente. Sempre temos que fazer mais, fazer coisas diferentes, estar sempre estudando, vivenciando coisas que não estavam previstas. Nossas responsabilidades mudam a todo momento. Todo dia, toda hora. Essa é a nova realidade! Tanto é que hoje se fala muito que as próximas gerações terão trabalhos que ainda nem foram criados. E você ainda quer ter uma descrição de cargo quadradinha e estática?
Hoje as pessoas também não se sentem mais obrigadas à fidelidade de antes. Mudam muito facilmente de emprego, de ideia, de amigos, de cidade e de tudo o mais que aparecer. Para vestir a camisa de uma empresa, os talentos líquidos precisam sentir que ela merece ser vestida. Eles querem trabalhar em empresas que tenham uma cultura organizacional ágil, inovadora e participativa. Eles querem estar num lugar onde a liquidez do mundo moderno vai ajudar a turbinar suas habilidades e talentos.
Você já percebeu, por exemplo, quanto tempo o organograma da sua empresa fica sem sofrer alterações?
É por isso que hoje muitas empresas estão criando (e estimulando) cada vez mais oportunidades para os profissionais mudarem de função, área, cargo, ou mesmo se mover dentro de empresas do mesmo grupo para engajar esses talentos e não perdê-los para o mercado. Eles prezam a mobilidade, eles querem ter essa liberdade de conhecer outras coisas, ter experiências diferentes, conhecer pessoas novas e incrementar suas carreiras. Sempre com um senso de causa e muito alinhamento com os valores pessoais.
O mundo mudou. Precisamos ser mais flexíveis. Precisamos conversar mais e nos apoiar uns nos outros para tentar obter uma percepção correta das coisas. Não existe mais essa de “eu já sei tudo”. Esquece! Todo dia tem informação nova, todo dia alguma verdade é revogada. O conhecimento é constante e infinito. Ponto. E as organizações só vão sobreviver e engajar seus talentos se construírem e reverem suas realidades todos os dias.
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