Na busca de melhores resultados, diante do cenário atual de alta competitividade imposto pelo mercado, é fundamental que as empresas busquem pela excelência no relacionamento interpessoal, valorizando seu capital humano e…
Quantos artigos você já leu que começam com essa mesma afirmação? Muitos, imaginamos. Mas será mesmo assim?
Até onde sabemos, Henry Ford morreu rico sem, no entanto, demonstrar grande preocupação com as relações entre os seus funcionários nas linhas de produção. Será mesmo possível que um bom ambiente de trabalho gerado a partir de boas relações interpessoais podem de fato influenciar o desempenho econômico das empresas?
Alexandre Gracioso, vice-presidente acadêmico da ESPM, pode falar algo sobre isso. Em 2001 ele comandou um estudo comparativo entre as 500 Empresas Maiores e Melhores e as 100 Melhores Empresas para se Trabalhar e verificou que aquelas que figuravam nas duas listas apresentavam em média um retorno sobre patrimônio 4 vezes maior do que aquelas que estavam apenas na lista das 500 Maiores.
Parece que algo mudou desde a época de Henry Ford.
Além das evidentes modificações no mercado que certamente influenciaram as mudanças nas empresas, as questões sociais entraram na ordem do dia, por conta das grandes transformações ocorridas em diferentes aspectos da vida humana, individual e coletiva. E a velocidade dessas mudanças vem aumento em progressão geométrica por conta do desenvolvimento tecnológico e educacional. Se conhecimento é poder, nunca o cidadão comum foi tão poderoso quanto agora.
Diante disso, valorizar e criar ambiente propício para a colaboração e o relacionamento entre as pessoas não se trata de uma moda passageira. A inteligência agora é coletiva já que as pessoas vivem conectadas a todos e a tudo o tempo todo e as relações entre as pessoas passam a ser fonte de produtividade.
A Análise Transacional, ou simplesmente AT apresenta uma abordagem racional para compreensão do comportamento humano na relação interpessoal. Em quase a sua totalidade os conceitos de AT podem ser representados por gráficos simples e esquemas como círculos, triângulos e vetores, o que facilita muito a compreensão. Além disso, sua teoria é de fácil assimilação, inclusive para leigos. Em outras palavras, como diz R. Kertész descrevendo a facilidade de entendimento da AT: “creio que é o melhor idioma psicológico, porque todos o entendem”.
Essa abordagem facilita a mais ampla e autêntica comunicação possível entre as pessoas, melhorando as relações e por consequência, a produtividade. Mas como as relações, e consequentemente os resultados de uma organização, podem ser influenciados pelas habilidades de comunicação das pessoas?
Segundo a AT, todos nós temos formas de pensar sentir e agir como se fossem vozes internas. Essas vozes internas se manifestam de acordo com uma determinada estrutura e tem uma determinada função na comunicação entre as pessoas e recebem os nomes de Pai, Adulto e Criança. Esses três elementos constituem a estrutura psicológica de todo indivíduo.
O Pai se manifesta nos julgamentos, controles, a moral, a ética, as tradições e os costumes. Já o Adulto se manifesta por meio da busca por dados e fatos, assertividade, análise e pensamento lógico. E é por meio da Criança que manifestamos nossa criatividade, espontaneidade, sentimentos, gosto por desafiar ou retrair-se. Sempre que nos relacionamos com os outros, o fazemos por meio do Pai, do Adulto e da Criança.
valorizar e criar ambiente propício para a colaboração e o relacionamento entre as pessoas não se trata de uma moda passageira
Vamos dar um exemplo. O Sr. João, gerente de Pedro, acaba de pedir que os relatórios semanais sejam feitos em um novo formato. Vamos ver como o Pai, o Adulto e Criança de Pedro responderiam a essa solicitação:
PAI: Pra que mudar o formato do relatório se o atual funciona tão bem? Estão sempre inventando moda!
ADULTO: É importante eu procurar quem possa me ensinar a gerar o relatório nesse novo formato.
CRIANÇA: Não importa o que eu faça, sei que o Sr. João vai odiar meu relatório.
Em qualquer uma das situações, o relatório poderá ser entregue como solicitado pelo Sr. João. No entanto, é fácil perceber que o gasto de energia será maior ou menor dependendo da forma de pensar, sentir e agir que estiver presente em Pedro. Um gestor que tiver maior consciência sobre a maneira como as pessoas respondem aos estímulos que recebem, terá maior sucesso em obter o mesmo relatório com a maior eficiência possível. Para o Pai ele poderia acompanhar a solicitação evidenciando a contribuição do novo formato para a Gerência. Para o Adulto, ele poderia dispor de algum tempo para mostrar como gerar o novo relatório. E para a Criança, ele poderia aumentar as doses de reconhecimento para que ela compreenda que o que não estava bom era o relatório, e não a pessoa que o gera.
Esse é só um pequeno exemplo de como a AT pode contribuir com a produtividade nas empresas por meio da melhora nas relações.
Acredite, existe uma lógica no comportamento humano e a AT pode ser um caminho para desmistificar a complexidade e subjetividade que julgamos ser de domínio exclusivo de psicólogos, psiquiatras e pesquisadores. Todos podem exercitar formas produtivas e assertivas de se relacionar, para alcançar a autonomia de forma leve e feliz! E de quebra ser mais produtivo e contribuir para a geração de valor econômico para as organizações das quais fazem parte.
Fotos: Freepik e Pixabay
Tags:Analise Transacional, AT