Quem me conhece e convive comigo há mais tempo, sabe que a busca pela leveza é um objetivo de meu autodesenvolvimento há muitos anos. Sobretudo nas relações, interações e na forma de viver. Meu mantra “leve a vida leve” me acompanha todos os dias e já é tão natural para mim, que ocorre automaticamente sem me dar conta que estou pensando nisso. Durante esses anos de busca, pude perceber e sentir o quanto o peso na forma de enxergar a mim e ao mundo funcionava como um fardo, me prendendo aos acontecimentos, relacionamentos e contextos que eu vivia, impedindo minhas asas de funcionarem para que eu alçasse voos mais longos.
O peso ao que me refiro se manifesta principalmente em forma de preocupação (ver o texto ocupar-se para não preocupar-se), medos, expectativas e ilusões acerca de uma realidade que existe apenas dentro da mente limitada e acorrentada pelas sombras de situações passadas, projetando um futuro incerto e duvidoso.
Ao ler a sensacional obra do tcheco Milan Kundera – “A Insustentável Leveza do Ser” encontrei um questionamento intrigante: “Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está a nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes. Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”
Provocada por essas questões, comecei a refletir o quanto nossa sociedade confere significado à seriedade, como algo com valor, que denota responsabilidade e por isso credibilidade, respeito e consistência. Um posicionamento duro, um semblante compenetrado, uma postura séria e uma conversa profunda costumam inspirar segurança e confiabilidade, especialmente no ambiente organizacional. No extremo oposto, a espontaneidade, o riso solto, a descontração com fluidez e alegria, costumam ser desqualificados como uma postura não profissional e por ser “IN-FORMAL”, não cabe na fôrma convencionalmente utilizada para definir o padrão correto a ser respeitado. E aí eu me perguntei: se não é padrão, se não for sério, duro e profundo, quer dizer que não terá valor? Pérai… não acredito nisso! Então, por que estou agindo assim, contra o que eu mesma acredito? Para me enquadrar em um significado socialmente aceito? E o meu próprio significado, ficava aonde? (ficou pesado!)
Acredito que a leveza é sustentável! Uma sustentação diária, mantida pelo autodesenvolvimento, consciência, obstinação de não se levar tão a sério e principalmente desfrutar cada conquista, podendo divertir-se no decorrer do percurso!
Para meu alívio (e leveza), encontrei as respostas na Análise Transacional! Eric Berne, criador dessa sensacional teoria, defende que a espontaneidade é a liberdade de poder escolher no espectro completo de comportamentos e sentimentos que podemos ter, o comportamento adequado para cada momento e situação. Sugere que é importante aprendermos a enfrentar novas situações e a explorar novas formas de pensar, sentir e responder, sem se encaixar em “fôrmas”, pois somente quando a ética interior e o comportamento exterior combinam e são congruentes, a pessoa será íntegra, inteira e leve!
Bert Hellinger, criador das Constelações Familiares em seu livro “No Centro Sentimos Leveza”, comenta que quando estamos em consonância com o mundo e conosco, aceitando a ambos como são, estaremos em sintonia e repousaremos em nosso centro, em equilíbrio. Nesse centro alcançamos paz e nos sentimos relaxados e inteiros.
Taí, inteireza, conexão e coerência com a própria essência é o que nos aproxima de nosso centro, proporcionando leveza. Bingo!!
Logicamente, chegar a essa conclusão não me desprendeu de todas as amarras. Esse é um desafio contínuo. Mas posso dizer que pode ser um desafio divertido, como uma criança participando de uma brincadeira muiiito interessante e motivadora. Creio que ainda terei muitas fases nesse game, mas quero compartilhar que já estou em um nível bem mais avançado, podendo me treinar a cada momento e, sobretudo me divertir a cada nova etapa! Acredito que a leveza é sustentável! Uma sustentação diária, mantida pelo autodesenvolvimento, consciência, obstinação de não se levar tão a sério e principalmente desfrutar cada conquista, podendo divertir-se no decorrer do percurso!
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