Não podemos mais continuar com o modelo educacional vigente. A obviedade de que ele não está dando certo é o desespero de empresários diante dos desafios, para se buscar os profissionais que possam realmente resolver os grandes problemas enfrentados pelas organizações.
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A tecnologia é uma grande aliada na disseminação da informação e até na construção do conhecimento, no entanto ela não é suficiente. Pode inclusive provocar o contrário. A facilidade de acesso e a não necessidade de análise crítica, pesquisa e ponderação podem atrofiar nossas mentes.
Em estudo feito recentemente para observar o QI de estudantes em universidades, o Japão ficou em primeiro lugar com 115 pontos, a Grã Bretanha com 102 pontos, os EUA com 98 pontos e o Brasil atingiu 86 pontos. Outros países logicamente conseguiram pontuação máxima entre 90 e 100 pontos. Nossa posição é preocupante, para variar.
Temos poucos estudantes e muitos alunos
Estes dados mostram que precisamos com urgência buscar formas diferenciadas para avançarmos no tema. Isto é desafiador porque exige mudanças radicais em todo o sistema.
Os congressos internacionais de EDUCAÇÃO estão discutindo de forma abrangente, como fazer com que a tecnologia seja uma aliada e não uma inimiga no processo de desenvolvimento educacional. O fator que mais preocupa é a dificuldade de concentração provocada pela parafernália tecnológica.
A concentração aprende e se isto não acontece, o cérebro não consegue gravar. Não conseguimos aprender se a nossa mente não estiver ligada. Muitas situações hoje prejudicam sensivelmente a capacidade de uma pessoa ficar concentrada em sala de aula ou numa sessão de treinamento na empresa.
A perda de autoridade do professor, as conversas constantes, o uso de celulares e computadores, a falta de leitura e o fato de se estudar somente para a prova são inimigos potenciais no processo de aprendizagem.
Aprender é gravar no cérebro e isto somente se torna realidade, quando as informações são guardadas no cerebelo. A prática de se estudar somente para a prova, quando a mente está em situação de ansiedade, motivada pela urgência, faz com que a gravação seja feita somente no sistema límbico. Gravar nele é como escrever na areia. Depois da prova a informação é esquecida.
Estudos feitos no Reino Unido por Glenn Wilson da Universidade de Londres, concluíram que a INFOMANIA, que é a prática sucessiva de envio de mensagens por whatsup e emails, pode reduzir o QI, gerada pela falta de concentração em outras atividades que são importantes.
A concentração aprende e se isto não acontece, o cérebro não consegue gravar
A leitura ainda tem importância substancial no desenvolvimento da inteligência. A tragédia é que em torno de 70% dos alunos de nossas escolas, nunca leram um único livro.
Está comprovado que os compulsivos em televisão, jogos eletrônicos, fones de ouvidos, celulares e computadores tendem a ter problemas graves de concentração, com consequente diminuição de QI. O isolamento nestas atividades também prejudica a interação social, a discussão de temas importantes e a percepção do contexto de forma mais abrangente.
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Sem concentração não existe aprendizado e o excesso de informação não significa conhecimento. Em relação a isto não há diferenças entre homens e mulheres. A mulher não consegue se concentrar em duas ou mais coisas ao mesmo tempo, pois isto é impossível. “Esta lenda comentarei em outro artigo.”
Temos poucos estudantes e muitos alunos. O que vale para muitas pessoas hoje é buscar uma certificação para se colocar no currículo ou conseguir um avanço na carreira, principalmente pública, que costumeiramente tem como exigência determinadas certificações.
Para as organizações e a sociedade em geral, isto não tem qualquer valor real. O que vale hoje é a posse do conhecimento.
Outro fator que merece destaque é que a mente se concentra naquilo que gosta, que dá mais prazer. Dai a importância de lermos, estudarmos e termos uma carreira alinhada aos nossos gostos.
A motivação e a concentração estão intimamente associadas ao prazer que o cérebro precisa sentir para que haja avanço. Não é por acaso que a maioria da humanidade é tão ligada ao sexo, a gula e a outros prazeres.
O prazer precisa ser estendido ao processo educacional… A grande tristeza é que boa parte dos alunos odeia permanecer numa sala de aula e os profissionais costumam torcer o nariz para sessões de treinamentos dentro de suas empresas. A perda com estas atitudes é estratosférica.
Em muitas empresas o uso de celulares e computadores em reuniões, tira totalmente a concentração de quem deve ficar focado naquilo que está se discutindo. As perdas pela falta de concentração neste sentido já estão sendo monitoradas por pesquisadores.
A tecnologia é e precisa continuar sendo uma grande aliada na formação do conhecimento. Ela facilita o acesso e dá suporte, no entanto o computador chamado cérebro não pode ser negligenciado.
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