As mudanças necessárias no mercado de educação corporativa
Semanalmente toca o telefone no escritório e, da voz do outro lado, vem a fatídica pergunta:
– Vocês fazem palestra motivacional?
Honestamente, esta não é uma pergunta com resposta simples.
Até onde sei, motivação é fator intrínseco, precisando nascer de dentro do indivíduo, naturalmente podendo ser reforçada de fora, desde que com elementos consistentes.
A própria palavra sugere esta verdade, quando entendemos que sua etimologia remonta a “motivo para a ação”. Traduzindo em miúdos: se eu não sei o motivo que me faz acordar todos os dias para vir dedicar meu tempo, inteligência e suor para uma causa (e todo trabalho é uma causa!), é pouco provável que uma pessoa em uma mísera hora seja capaz de mudar meu estado interno de “motivação”, seja por meio de mágica, teatro ou palavras.
Nesse caso, o que as pessoas confundem com motivação, eu chamo de euforia: algo que não se sustenta nem se quer por uma semana depois de retirado o estímulo.
Certamente não estou dizendo com isso que uma palestra precisa ser chata e desestimulante para ser eficaz. No entanto, é preciso entender que sem conteúdo a forma não se sustenta.
pessoas que sabem PORQUE estão fazendo algo, encontram a motivação para mudar até mesmo a sociedade e as empresas
Se o que queremos é aumentar a produtividade de uma equipe, reduzir os conflitos existentes, integrar pessoas ou mudar a forma de agir de lideranças, precisamos compreender que, para mudar comportamentos, é necessário modificar aquilo que chamamos de MIND SET, ou modelo mental.
Digo isso por entender que todas as ações de uma pessoa são condicionadas pela forma como esta vê o mundo e as relações que constrói partindo desta ótica.
Assim, e para modificar este modelo mental, devemos ajuda-los a RESIGNIFICAR aquilo que realizam, criando percepções altruístas sobre os motivos que os levam a agir.
Muitas vezes, nos sentimos desmotivados com o que realizamos por que não possuímos uma VISÃO clara sobre aquilo que de fato agregamos com nosso trabalho. Sabemos que trabalhamos e somos pagos por isso, sabemos que produzimos produtos e serviços que os consumidores consomem, mas nem sempre correlacionamos estas tarefas com nossa MISSÃO no mundo.
Por isso descobri, (analisando times vitoriosos, desde forças especiais como os SEAL americanos até times de vendas que se destacam), que resultados surpreendentes são sempre fruto de uma percepção superior do significado daquilo que realizamos.
Gandhi foi capaz de abrir mão de uma carreira de advogado para viver na pobreza, na prisão, investindo todo seu tempo, dedicação e saúde na busca pela independência de seu país, sem ganhar nada (no campo financeiro) por isso. Mas Gandhi, se não possuía dinheiro, possuía certamente uma clara VISÃO sobre o significado de sua MISSÃO. Foi por esta razão que pagou de bom grado preço tão elevado.
Conclusão: pessoas que sabem PORQUE estão fazendo algo, encontram a motivação para mudar até mesmo a sociedade e as empresas. E, verdade seja dita: pular, berrar e dançar, não são as melhores maneiras para que possamos compreender o que nos motiva a agir. Existe sim um caminho para a mudança, e este se chama AUTOCONHECIMENTO.
Para pensar: “A maior revolução da nossa geração é a descoberta que os seres humanos, ao mudar suas atitudes mentais, podem mudar suas vidas” – Willian James.