No filme Historia Sem Fim, ao caminhar por um pântano, Atreyu tenta manter a alegria no coração e a vontade de viver. Se o seu coração ficar triste, ele afundará no grande pântano e acabará morrendo. É um conto para adultos e crianças com grande apelo emocional e muita lição de vida, principalmente de obstinação e coragem. Somente o controle de seu pensamento, mantendo a esperança, poderia salvá-lo.
Este sentimento de fé, esperança e confiança que permitiu ao corajoso Atreyu atravessar o pântano na tentativa de salvar a Terra do Nada, tem nos ajudado muito. Nossa vida tem bons momentos, mas ela também é cheia de obstáculos, decepções e desafios. Para suportá-los, precisamos de uma força interior que nos permita acreditar no amanhã e em dias melhores.
Em momentos de maiores conflitos é que precisamos de mais forças. O difícil é ficar atento ao que acontece em nossa vida e manter a mente equilibrada. Outro fator importante é compreendermos que nossos verdadeiros inimigos estão dentro de nós mesmos e que quando conseguimos enfrentar estes inimigos internos, criamos condições favoráveis para enfrentar os inimigos externos.
Como lido com pessoas, realizando entrevistas com executivos que estão disponíveis no mercado, em trabalhos de consultoria ou ainda em aulas e palestras, observo com tristeza que a sociedade falhou em muitos aspectos. Criamos um mundo extremamente inseguro.
Os planos de carreira das empresas privadas são ameaçadores. Na medida em que as pessoas envelhecem nos cargos ou em idade são desligadas. Antigamente quanto mais tempo de “casa” uma pessoa tinha numa empresa, mais segura ela se sentia. Hoje está acontecendo o contrário. Com o passar dos anos a preocupação aumenta, pois as empresas precisam fazer análises sistemáticas de seus custos e, queiramos ou não, pessoas são recursos.
Por que buscamos os caminhos mais fáceis que ensinam técnicas em vez de ensinarmos a pensar?
As organizações ainda não acordaram para o fato de que precisam investir sistematicamente no desenvolvimento das pessoas, para que elas possam estar sempre atualizadas. Em vez de fazerem isto, optam pelo mais fácil, jogando-as pra lá e pra cá, o que tem prejudicado tanto os seres humanos como as organizações que perdem profissionais com conhecimento mais profundo do negócio.
O tempo não passa, o tempo voa… e os discursos são incompatíveis com a realidade. Nossa sociedade fala em valores que não são vivenciados e em práticas que não são sustentáveis. Parece que quanto mais evoluímos em conceitos, mais involuímos nas práticas. Estamos ainda num contexto de divergência de interesses e não de convergência. (Leia também:Tempo é Vida)
Não conseguimos aprender algumas lições e nossa eficácia como país despenca a cada ano. Não faltam teorias oriundas da terra do Tio Sam, com nomes quase indecifráveis. Não faltam certificações, congressos, palestras, livros e revistas. Se temos tanta informação a disposição, onde está o calcanhar de Aquiles, que nos mantém tão frágeis na aldeia global?
(Leitura sugerida – Palestra de motivação)
Será que o ponto não é exatamente este? Buscamos as coisas prontas, as técnicas já experimentadas, as teorias já implementadas, sem levar em conta aspectos culturais e específicos de nosso povo e de nossas empresas? Será que os processos ainda tacanhos na seleção de pessoas não é um grande complicador competitivo?
Por que buscamos os caminhos mais fáceis que ensinam técnicas em vez de ensinarmos a pensar?
Técnicas enquadram e pouco inovam. Num mundo que vive de inovação, estamos com certeza fazendo a coisa errada. Nossos métodos, nossa política, nossas grades curriculares, nossos processos e nossas certificações precisam ser reinventados.
Não vamos deixar nosso coração ficar triste a ponto de morrer. Precisamos fazer como Atreyu fez e buscarmos dentro de nossa alma a coragem e dentro de nossa mente a sabedoria para fazer as coisas se renovarem.
Tags:alma, coragem, historia sem fim, inovação, mente