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DEBRIEFING – Reflexão sobre ação

No intervalo de uns dos meus cursos, uma das participantes veio pedir minha opinião, explicando-me que lidera um grupo de mulheres, e que, quando acontece algum estresse por conta dos clientes, elas param e desabafam sobre aquela situação. Comentou que isso ajuda o grupo a expressar os seus sentimentos, tirando aquele “peso das costas”. São pequenos episódios como esse ou mesmo grande projetos, eventos, cursos – independente de qual deles seja – que podemos usar como FERRAMENTA para o melhor equilíbrio psicológico pessoal ou até com nossos familiares e conhecidos.

Eu observo que o caminho que muitos seguem é o de focar nos erros, com aquele sentimento de AUTOPUNIÇÃO, de FRACASSO.  E o resultado disso acaba sendo a desmotivação de um grupo (quando aplicado no coletivo); a falta de engajamento, e, principalmente, de ampliação das percepções e da consciência sobre o mundo. O “eu” cria um bloqueio mental e se torna impedido de evoluir positivamente.

Isso me inspirou a escrever sobre meu entendimento acerca de um tema que me inspira: o DEBRIEFING.

Um facilitador de bom desempenho utiliza muito o debriefing nas atividades propostas em seus cursos. E de que maneira funciona?

debriefing é um instrumento de aprendizagem e melhoria contínua

O primeiro passo é ter em mente que existem componentes distintas em QUALQUER ATIVIDADE de aprendizagem experiencial.  A própria experiência real é um exemplo, pois esta depende da necessidade, das restrições de tempo e dos propósitos do evento de aprendizagem, podendo ser curta ou longa, estar incorporada a um treinamento maior ou ser aplicada sozinha em um evento para pequenos ou grandes grupos.

Eu tenho como premissa que devo sempre construir um paralelo do que promovo em minhas palestras e cursos com a realidade dos participantes, me preocupando com O QUE e COMO fazer diferente a fim de causar impactos positivos e significativos nos negócios de Empresas.

Porém há também o BRIEFING, que difere do DEBRIEFING por ser muito utilizado no alinhamento de expectativas. Em suma, é a reunião de informações necessárias para a execução de uma tarefa, focando nas estratégias. Por outro lado, o debriefing é um instrumento de aprendizagem e melhoria contínua que facilita a aprendizagem por meio da experiência, da interpretação do resultado.

O objetivo do debriefing é o de revisar e refletir no PÓS-AÇÃO, avaliando minuciosamente o que aconteceu, o que fizemos de bom, e o que podemos fazer de diferente na próxima vez para uma melhor performance. A partir da experiência, é possível melhorar a eficácia e o desempenho de funcionários, gestores e de equipes. Nesse sentido, a promoção da aprendizagem compartilhada, o reforço do espírito de equipe e o aprimoramento contínuo de pessoas e processos estão presentes.

ATENÇÃO NA APLICAÇÃO

É fundamental lembrarmos que o debriefing não é uma “caça às bruxas”, pois ele não busca repreender culpados, apontando erros e falhas. Mas também não visa identificar e elogiar “heróis”. O propósito mesmo é, acima de tudo, visar aprender com experiências extraindo lições, buscando a sustentação psicológica e a correção das nossas falhas e erros para que, nas ações futuras, tenhamos melhorias nas práticas e nos procedimentos.

Etapas do Debriefing Alocação % do tempo
O que planejávamos fazer? 10% do tempo
O que ocorreu de fato? 15% do tempo
Por que ocorreu desta forma?  25% do tempo
O que faremos na próxima vez?  50% do tempo

 Como a reunião de debriefing tem como objetivo aprender com a experiência e consequentemente melhorar o planejamento e a execução das próximas ações, metade do tempo da reunião é alocado à quarta etapa: O que faremos na próxima vez?

Como conduzir uma Reunião de Debriefing:

  1. O condutor deve assumir o papel de facilitador da reunião, estimulando o grupo a pensar, refletir, fazer perguntas, refletir sobre as perguntas, responder as perguntas que o facilitador ou o participante faz.
  2. O sucesso de uma reunião depende da criação de confiança mútua entre os membros da equipe e de todos os participantes se sentirem confortáveis a falar livremente.
  3. Detalhe: não existe hierarquia, apenas um grupo de profissionais objetivando melhorar seu desempenho e a buscar o aprimoramento contínuo.
  4. O clima deve ser amigável, não hostil e não ameaçador, de franqueza, transparência e abertura, e todos precisam estar imbuídos do espírito de aprendizagem e de aprimoramento contínuo. Se não houver este clima, os participantes da reunião não irão dizer o que ocorreu e o que não ocorreu.
  5. Em uma reunião de debriefing, os participantes devem se sentir à vontade para expressar livremente, com franqueza e honestidade, suas observações, comentários, opiniões e feedback. Cada participante deve estar consciente de que mais do que permitido, é necessário que cada um fale o que pensa e entenda que discordar ou pensar diferente não é desrespeito: é contribuição.

Ao abrir a reunião, o condutor deve lembrar ao grupo o objetivo e propósito de um debriefing e reforçar o seguinte:

Um treinamento, evento ou projeto, mesmo se for a melhor das experiências, terá resultados limitados se não possuir um debriefing sólido, porque os participantes não estarão tão capacitados a conectar as lições aprendidas com suas experiências reais no ambiente profissional.

Capriche no Debriefing!