Já tivemos a era da Motivação, da Qualidade, do Engajamento e da competitividade, além do famoso RH estratégico, da espiritualidade, missão, razão e emoção.
Somos espirituosos e mudamos os nomes dos empregados para talentos e colaboradores, do DESEMPENHO para “performance”, da capacidade para mudanças de RESILIÊNCIA, e até criamos um verbo cacofônico que é PERFORMAR.
Existem muitos livros a disposição. Alguns inteligentes, outros repetitivos ou alienantes. Lemos histórias de ratos e queijos, de monges, gurus e profetas. Numa fase admiramos os japoneses e suas metodologias, noutras os alemães ou americanos e suas ideias e damos pouca importância para nossos próprios insignts. Em nossa nação não valorizamos o que somos e o que temos e isto cria uma avalanche de situações que vai da psicologia do status a distúrbios existenciais. Comprar produtos importados, ter uma marca famosa de jeans, perfume ou carro e contratar consultores com nomes anglicanos é mais chic. Muitas pessoas e organizações agem assim
Uma avalanche de alunos já perdeu horas discutindo se as pessoas precisam ser eficientes ou eficazes. Isto é mais ou menos como discutir quantos anjos cabem na ponta de um alfinete, como faziam os monges das abadias na idade média. O que é importante é abandonado . Afinal de contas não precisamos discutir o obvio, o natural e o simples. Precisamos sim, complicar e isto tem um tom de altivez que beira a soberba.
Chamamos comediantes para nossas conferências, palestras e workshops e eles fazem as plateias darem boas gargalhadas. Muitas vezes não é a informação ou o conhecimento o mais importante e sim, a capacidade para fazer uma plateia inteira se divertir.
Numa das palestras mais inteligentes assistidas por mim num Congresso de Gestão de Pessoas, foi torturante ver tanta gente simplesmente se levantar e sair da sala. A palestrante falava sobre ética de forma primorosa, fazendo um histórico desde a Grécia Clássica até os dias atuais. Todavia ela não sabia fazer as pessoas rirem. Era sábia, mas não engraçada.
Buscamos atalhos e não caminhos. Queremos técnicas e dicas, pois o retorno tem que ser rápido. É Técnica de Liderança, Técnica de Comunicação, Técnica das Técnicas. O exagero da técnica emburrece uma sociedade, pois atrofia o pensamento.
Onde a desonestidade permeia todos os meandros, falar em PROPÓSITO pode PARECER bastante estranho
Para muitas atividades a técnica realmente é providencial. No entanto para trabalhos que exijam raciocínio rápido, análise crítica, tomada de decisão, negociação e gestão de conflitos a técnica pode não ser eficaz. Ou seria eficiente em vez de eficaz?
Temos ainda outras agruras modistas. Grande parte dos palestrantes e professores gosta de fazer a mesma pergunta: Qual é o seu propósito? E todos nós vamos na onda. Se a pergunta fosse qual é o seu objetivo de vida ou qual é a sua missão, a resposta seria a mesma. Mas Propósito está em alta e os líderes de “alta performance” não podem deixar passar esta onda em branco.
Num contexto em que pensamos pouco e num país onde a ética caiu na vala comum, no qual as pessoas estão perdidas, sem saber o que fazer em relação a escolha de uma carreira. Num ambiente de trabalho onde os seres humanos não são desenvolvidos e treinados adequadamente. Onde os profissionais experientes são considerados velhos após os 40 anos. Onde os líderes são escolhidos por afinidades ou por competências técnicas. Num país em que um programa que vigia a vida das pessoas está com audiência em alta há mais de uma década…. Onde a desonestidade permeia todos os meandros, falar em PROPÓSITO pode PARECER bastante estranho.
Em nossos discursos temos também em alta a criatividade e a inovação, Tecnologia Criativa, Industria 4.0, Gestão 5.0, RH 5.X, Marketing 3.2… Temos ainda a Teoria U, Design Thinking, Coaching, Mentoring e Economia Criativa. Mas não podemos parar… afinal quem não é criativo e resiliente está fora do mercado.
Nesta parafernália toda. Qual é o seu propósito?
Ter uma carreira Y, X, Z ou W? Tornar-se um Youtuber? Utilizar o Whatzip ou o Whatzap…(ou seria Whatssap?) Conhecer o Advanced Analytics… Procurar um Personal Coach? Saber sobre vinhos? Publicar fotos sensuais? Mostrar que você tem um barco ou um carro importado? Ou conhecer tudo sobre make-sense?
Nosso valor está relacionado ao que somos ou ao que temos?
A vida é breve demais para não termos como propósito SER FELIZ. Se esta pergunta precisa ser constantemente respondida, está faltando algo em relação aos nossos reais VALORES e nossas percepções.
INOVAR E CRIAR não é copiar. É refletir!
Tags:propósito