Em outro artigo já defendi a diferença conceitual entre o Líder e o Gestor, onde o papel do Líder é ser o grande gerador de resultados por meio da sua influência junto às pessoas que trabalham com ele, o que remete um peso bem grande sobre suas atitudes, afinal as palavras podem até convencer, mas o exemplo é o que conquista seguidores. Já o outro – o Gestor – é alguém que foi nomeado para a posição e que não tem em sua agenda de prioridades o convencimento das pessoas por meio da sua influência, mas sim porque ele foi designado para a atribuição de coordenar, gerenciar ou ainda dirigir um grupo de pessoas.
Pensando nisso, torna-se fundamental abordar o papel do Líder em algo que é primordial quando falamos de equipe e sobre o que já temos muito lido e ouvido falar: o engajamento. É comum ainda lermos e ouvirmos que o Líder precisa atuar como motivador de sua equipe, porém, não sei você, mas eu acredito que ninguém é capaz de motivar ninguém. A motivação é uma força interna, que em termos bem simples, te leva a fazer coisas que você já queria fazer, mesmo que sua vontade seja bem pequenina.
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Como exemplo podemos pensar naquele seu conhecido que trabalha fora da cidade onde mora e mesmo assim resolve fazer faculdade em outra cidade também diferente de onde mora e trabalha – uma 3ª cidade. Talvez ele tenha vários motivos racionais, com os quais até você concordaria, para optar por adiar seus estudos, mas diante de um incentivo financeiro que seu Líder concedeu, decidiu sacrificar-se e cair de cabeça nesta empreitada, acordando diariamente às 05:00am e indo dormir também diariamente às 00:30am, sem contar os riscos envolvidos nos deslocamentos, stress familiar entre outras dificuldades.
Sem querer propor uma discussão de juízo de valores, mas minha crença é de que se esta pessoa não quisesse estudar ela nem teria participado do processo seletivo. Ou seja, sua vontade de estudar já estava lá, tanto que ela simplesmente envolveu-se no processo, submeteu-se aos critérios de seleção do seu curso e foi aprovado. Talvez nem ela queira admitir, mas tal vontade estava lá desde o início e seu Líder acertou no tipo de incentivo ideal para ela.
eu acredito que ninguém é capaz de motivar ninguém
O engajamento é diferente, ele não existe em nós, é criado por uma série de fatores e o protagonista de sua existência é o Líder. Ah, e antes que eu me esqueça, vamos conceituar o engajamento: ele é, de uma forma bem simples e direta, àquele sentimento de conexão que a pessoa tem com a “causa” que resolve adotar para si. Pode ser o tão sonhado propósito de vida, uma obra social, um relacionamento, uma empresa ou até uma equipe dentro de uma empresa.
Uma pessoa engajada acredita que a conexão que ela tem com esta “causa” é tão forte que a bem-aventurança desta “causa” pode influenciar diretamente a sua vida, assim como o contrário.
Pessoas engajadas muitas vezes não veem o tempo passar no seu trabalho, entregam-se de uma forma até apaixonada ao que estão fazendo e simplesmente fazem. Claro, existem aqueles engajados que também tem relógio e percebem que o tempo passa, mas da mesma forma sentem-se ligados com o que fazem, com o ambiente, com o clima organizacional daquele grupo e simplesmente “performam” bem, muito bem e também excepcionalmente bem.
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Acredito que agora tenha ficado claro para você que por vezes cometemos uma injustiça tremenda com as pessoas que lideram equipes de trabalho, querendo que elas despertem a vontade de alguém fazer algo que ela não quer fazer, quando na verdade o que precisa ser feito é mostrar que esta conexão da pessoa com a “causa” já basta. E esta conexão é criada por influência do Líder e de toda a cadeia de poder envolvida no contexto e ela envolve muito fortemente as atitudes da Liderança e também tarefas que são de responsabilidade de quem lidera, afinal, as palavras podem passar, mas as atitudes não.
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