Nos dois últimos dias trabalhei lecionando no programa de Pós-Graduação de uma instituição de Santa Catarina, na abertura do curso de Engenharia de Software. Minha missão foi desenvolver com os alunos a disciplina de Estratégias Empresariais com intuito de fortalecer suas competências de observação e análise de cenários. Combinei com eles que deveríamos olhar as situações propostas com um olhar no padrão “fora da caixa” para podermos enxergar além do óbvio e do senso comum.
Algumas empresas consideram inclusive o “pensar fora da caixa” como competência primordial para seus cargos de liderança e nisso elas tem toda razão. O líder precisa olhar além e enxergar ainda mais longe. Acredito que já disse isso em algum outro artigo, mas gosto de dizer que quando olha uma rua esburacada, um líder autêntico precisa enxergar ela transformada em avenida e não somente com os buracos tampados.
Um dos sentidos práticos da liderança é desenvolver atividades ou tarefas por meio de outras pessoas e quando a equipe cresce, pode crescer também o descontrole sobre o que precisa ser feito, afinal são muitas “mãos” envolvidas em um mesmo processo. Aí entra o líder com a função de coordenar os donos dessas mãos e dirigir os esforços de todos na direção dos objetivos estratégicos do negócio. Que expressão linda – objetivos estratégicos!
É ruim ser um líder de meio período porque suas responsabilidades são de tempo integral
Se o líder tem a função de conduzir seu time, de forma segura, engajadora e produtiva, é necessário que ele tire seu foco exclusivo das tarefas manuais e concentre-se nas atividades relativas a gestão do processo e da equipe e isso é um trabalho tático quando não estratégico. É comum inclusive as empresas pagarem salários maiores para pessoas que assumem estas posições de liderança justamente porque encontram nelas uma mão de obra diferenciada. Você deve estar pensando então: isso é óbvio Fabrício! E eu te respondo: -Nem sempre!
Com a justificativa de “fazer mais com menos gente”, é muito comum as empresas sobrecarregarem seus líderes com volumes de atividades operacionais associados com cargas excessivas de trabalho voltado à gestão dos processos e/ou das pessoas. Aí eu pergunto: Por que promoveu a pessoa a líder então? É ruim ser um líder de meio período porque suas responsabilidades são de tempo integral.
(Que tal ler também: Para que serve um líder se seu papel é liderar?)
Além disso, encontramos também, bem comumente, o líder que sente paixão por suas atividades operacionais. O tesão que ele tem é tão grande que ele simplesmente não consegue parar de fazer o operacional e acaba por vezes concorrendo operacionalmente com seu time. O que pouca gente pára para pensar é que quando o líder, que é alguém que ganha financeiramente mais para cuidar do seu time, está fazendo a mesma coisa que seus liderados, está no mínimo aumentando o custo daquela operação, haja vista que sua mão de obra é mais cara que as dos demais profissionais que ele lidera. Ah, e é claro, enquanto isso, todo mundo continua olhando a rua esburacada e nem sonha que ela um dia pode ser uma avenida.
Por fim, acredito que mesmo com a necessidade das empresas fazerem mais com menos, com os ajustes que vem sendo empreendidos por gestores com intuito de reduzir o custo de suas operações, fazer com que um líder desenvolva atividades operacionais juntamente com seu time é, além de jogar dinheiro fora, um duro golpe no resultado real que se espera quando é criada uma função de liderança. Isto porque líderes pela metade, apresentam a metade dos resultados que se esperavam de um meio líder. Se você continuar insistindo neste erro, não poderá depois reclamar que a cadeia de liderança da sua empresa é um problema sério, quando na verdade este problema é você mesmo.