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Mudança de Hábito, Mudança de Vocabulário

MUDANÇA DE HÁBITO, MUDANÇA DE VOCABULÁRIO

Cada um de nós já experimentou em algum momento na vida a necessidade de se desprender de hábitos prejudiciais e certamente constatou a dificuldade de incorporar hábitos mais saudáveis em seu dia a dia.

Por mais que tenhamos interesse em realizar mudanças, por mais que estejamos conscientes da necessidade de fazer diferente, por mais que planejemos outras maneiras de agir, não raro, incorremos nos mesmos erros, repetimos as mesmas atitudes e nos frustramos com os mesmos resultados…

Porque será que aderir a comportamentos mais saudáveis e benéficos gera tanto esforço em nós? Não deveria ser algo natural e tranquilo, uma vez que trará melhores resultados?

Nesse final de semana, discutimos essas temas na 11ª turma do curso de Análise Transacional – AT 101 e uma questão importante trouxe uma luz diferente para esse assunto. Tão importante quanto mudar o pensamento e o comportamento é adequar o vocabulário, reprogramar a linguagem para reorganizar o pensar.

Certamente nossos insights não são inéditos. Estou ciente que não redescobrimos a lâmpada, até porque John Grinder e Richard Bandler no final dos anos 60 com a PNL (Programação Neurolinguística) descreveram a relação entre a mente (neuro) e a linguagem (linguística – verbal e não verbal) e como a sua interação pode ser organizada (programação) para afetar a mente, o corpo ou o comportamento do indivíduo. Contudo, as experiências e depoimentos compartilhados no curso, sintetizaram de forma bastante simples algumas possibilidades de trocas que certamente nos serão bastante úteis no dia a dia.

A Análise Transacional em seu conceito de Okeidade, propõe uma visão positiva acerca de nós mesmos e dos outros, compreendendo que cada um de nós somos OK do jeito que somos, com nossas virtudes ou fraquezas. Quando vivemos a Okeidade, nos tornamos mais plenos, conscientes, despertos e muito mais leves em relação a nós e as pessoas ao nosso redor.

Abaixo, uma seleção de possibilidades de trocas que compartilhamos no curso e que podem trazer mais Okeidade e mais leveza para nossas escolhas, para nossas relações e por que não, para nossa vida.

QUE TAL TROCAR…

Difícil por DESAFIADOR:

Quando julgamos que uma determinada situação, atividade ou até mesmo pessoa é difícil, sentimos um peso enorme e um antecipado cansaço para lidar com a circunstância apresentada. Nossa energia reduz na proporção em que a dúvida sobre nossa capacidade para enfrentar a dificuldade aumenta. Tendemos a evitar, fugir ou adiar o enfrentamento, até que tenhamos mesmo que lidar com as situações por não ter outra opção, o que gera grande exaustão.

Agora quando somos desafiados por alguma situação, todo nosso corpo se mobiliza para ação. Recebemos uma dose extra de energia que nos conecta com nossa criatividade e capacidade de inovação. Sentimo-nos convidados, impelidos e envolvidos.

Culpa por RESPONSABILIDADE:

A culpa, sentimento tão difundido pelos nossos modelos educacionais e religiosos, tem uma grande capacidade de nos envolver em uma energia pesada de auto condenação e autopunição, no intuito de pagar o erro com o sofrimento do não merecimento. Resulta em peso e ressentimento que nos paralisa e freia nossas ações e interações. A culpa compromete nossa autoestima e nos mantém presos ao passado, reduzindo nossa capacidade de visão atualizada dos fatos e dados e a possibilidade de mudança.

Porque será que aderir a comportamentos mais saudáveis e benéficos gera tanto esforço em nós? Não deveria ser algo natural e tranquilo, uma vez que trará melhores resultados?

Já a responsabilidade nos empodera e impulsiona para termos uma visão ampliada e antecipada das situações, prevenindo situações, reconhecendo o erro quando esse ocorre, buscando assumir a responsabilidade por esse erro, e principalmente, comprometer-se em mudar e melhorar. Quando isso ocorre é muito provável que tenhamos aprendido com a experiência para não cometermos o mesmo erro novamente. Trata-se de reconhecer, desculpar-se (que significa retirar a culpa) e agir.

Tenho que por POSSO

Cada ‘tenho que’ utilizado por nós é um peso a mais nos ombros. Corresponde a uma obrigação, a uma imposição para a qual não temos escolha. Como um fardo difícil de carregar, os ‘tenho que’ vão se reproduzindo em nossas listas escritas e/ou mentais e tem o poder de roubar nossa energia de realização, nos envolvendo em pré-ocupação e não em ocupação de fato (Leia também: Ocupar-se para não Preocupar-se), convidando a procrastinação, que leva a culpa, que leva a não ação, ou seja um ciclo negativo interminável.

Ao contrário, quando percebo que ‘posso’ fazer algo, sou estimulado para ação. A possibilidade me permite escolhas e ao mesmo tempo amplia minha percepção sobre a capacidade para realizar. O ‘posso’ impulsiona, convida, mobiliza. O ‘tenho que’ pesa, obriga, paralisa.

Preciso por PREFIRO:

Primo próximo do ‘tenho que’, o ‘preciso’ também tem esse ar de obrigatoriedade, imposição e dívida que nunca se paga, pois nossa lista de ‘tenho que’ e ‘preciso’, nunca termina. Agora, como seria fazer essa mesma lista com ‘prefiro’? Preferência tem a ver com escolha, com priorização definida por mim. Refere-se  a possibilidade, vontade e energia para realizar, para assumir responsabilidades e fazer diferente.

Taí, mudar o vocabulário pode ser uma importante ferramenta para a mudança de hábitos. Que tal experimentar?

Ah, e você tem alguma outra sugestão de trocas como essas para compartilhar conosco? Ficarei bem feliz em saber. Pode adicioná-la abaixo no campo ‘comentários’. Desde já agradeço e desejo uma ótima experiência pra você!