Estes dias assisti o filme Sully – O herói do Hudson, que conta a história daquele piloto de avião comercial que pousou sua aeronave no Rio Hudson em Nova York e todos os passageiros e tripulantes sobreviveram. Ele me fez refletir muito sobre a importância da tomada de decisão no tempo certo – seja ele muito ou pouco – e os impactos que uma decisão tem sobre a vida do Líder e de seus liderados. Também me fez refletir sobre a importância do Líder saber exatamente o que está fazendo e aqui acredito que seja o ponto principal deste artigo.
Já falei inúmeras vezes e pretendo repetir até o fim dos meus dias, que é possível desenvolver líderes por meio de investimentos e esforços voltados para seus comportamentos e atitudes, pois acredito que a essência da liderança é comportamental. Porém, um líder meramente inspirador sem conteúdo, digamos, técnico, também não é um recurso completo. Hoje em dia, conhecimento técnico já não está mais tão associado ao tempo e sim a intensidade de experiências, como mostra a personagem do Comandante Sully que tinha muitas horas de voo sim, é verdade, mas seu foco era segurança aérea, o que atribuía muito mais intensidade ao conhecimento técnico dele frente a outros pilotos com sua mesma idade e tempo de experiência.
Qual é o nível de intensidade de seu conhecimento técnico sobre o que você e sua equipe fazem, a ponto de favorecer sua tomada de decisão em um momento de crise? Quando incorporamos o conhecimento técnico em alta intensidade, transferimos isso para nosso inconsciente e nosso “HD” acaba processando muito mais rápido e naturalmente as informações necessárias para a tomada de decisão. Um bom exemplo disso pode ser você, que sabe dirigir, tem muitos anos de experiência como motorista em ruas e estradas, e quase sempre faz movimentos, toma decisões e realiza manobras praticamente sem perceber. Meu amigo Armando Pastore inclusive diz que quando dirigimos entramos em transe e mesmo assim conseguimos ainda cantar – aqueles que gostam, apreciar a paisagem e conversar com quem está conosco.
acredito que a essência da liderança é comportamental
Quando falamos de decisão, não podemos esquecer que ela é influenciada também pelo seu perfil comportamental. Perfis Dominantes tendem a tomar decisões de forma racional, intuitiva e rápida, fundamentados sempre em suas experiências e visões de mundo, diferente dos indivíduos que se enquadram em um perfil Influente, pois estes tendem a tomar decisões de forma emocional e intuitiva, deixando a emoção falar muito mais alto do que a razão. Pessoas que estão em perfil Influente também pendem para o lado mais emocional quando se trata de decisão, tendo um padrão governado pelas emoções mas com pitadas reflexivas e cautelosas, afinal para eles é importante manter a harmonia. De alguma forma parecidos com os Dominantes, indivíduos de perfil Analítico – ou Conforme – também são extremamente racionais em suas decisões, porém também reflexivos e muito cautelosos.
(Saiba mais sobre DISC no artigo – Perfis comportamentais e seus estilos de liderança)
Como diziam os Engenheiros do Hawaii, são várias variáveis! Agora imagine que você é o Comandante Sully lá no seu trabalho ou na sua família, e precisa tomar uma decisão em pouco mais de 200 segundos e do êxito dela dependem as vidas das pessoas que estão trabalhando e/ou vivendo com você. Imaginou? Acredito que agora você entendeu a importância do conhecimento técnico sobre o que está fazendo e principalmente a importância da intensidade das experiências onde vivenciou este conhecimento.
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