Na semana passada, ouvi uma história típica dos tempos em que estamos vivendo. Dois executivos, um de Joinville e outro de São Paulo comentavam sobre a crise que tanto preocupa a vida dos brasileiros. Depois de alguns minutos entraram numa conversa mais pessoal e passaram a falar de seus familiares.
O paulistano lastimava em relação ao seu papel de pai ausente, dizendo que tinha um filho de 23 anos dentro de sua casa, e este lhe parecia uma pessoa totalmente estranha. Não havia qualquer laço de afetividade entre ambos e ele se sentia muito triste por causa disto.
O conterrâneo também fez alguns comentários sobre a distância entre ele e seus familiares e o que mais o preocupava era a dificuldade de conversar com o filho sobre a carreira e o futuro profissional. Já havia tentado várias vezes, no entanto não havia tido sucesso.
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Casos como estes se tornam cada vez mais comuns. As pessoas estão sem tempo para viver as coisas comuns da vida. Muitas não têm tempo para curtirem as primeiras palavras, os primeiros passos e todas as outras situações mágicas que acontecem na infância e na adolescência dos filhos.
Outras não têm tempo para viajar, irem ao cinema, lerem um livro relaxante, curtirem os pais, irmãos e amigos ou simplesmente os bons e simples momentos que a vida pode proporcionar.
O ritmo intenso deixa-nos muitas vezes viciados. Ficamos dependentes a ponto de o ócio nos incomodar. Já não sabemos mais o que fazer sem um computador ou um celular a nossa frente. Além disto, levamos uma parte do trabalho para casa e ficamos acessados o tempo todo.
Em pleno século XXI, como viver sem email, telefone celular, os transtornos do trânsito, a ansiedade dos novos contatos, do fechamento das metas, da insegurança do mercado? Como fazer se a crise bater a nossa porta? Quando é que isto vai ter um fim? Será que esta crise vai passar?
O amanhã sempre é tão próximo, tão perto, tão incerto. E por ser assim tão próximo, cometemos o erro de viver o amanhã, sem saber viver o dia de hoje.
E ainda temos outros inconvenientes. O tempo está passando mais rápido porque vivemos num mundo onde o número de eventos é muito grande. Nesta situação sofremos da síndrome do tempo perdido… O tempo passa mais rápido e com ele a percepção da vida.
E o amanhã? – O amanhã sempre é tão próximo, tão perto, tão incerto. E por ser assim tão próximo, cometemos o erro de viver o amanhã, sem saber viver o dia de hoje.
Temos que tomar muito cuidado. Precisamos ficar atentos com relação as leis naturais que regem a vida humana. É preciso buscar o equilíbrio entre o pessoal e o profissional. Pessoas emocionalmente saudáveis são mais equilibradas e enfrentam os problemas de forma mais saudável.
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Quando as leis naturais são quebradas temos insegurança, conflitos, desesperança e ansiedade.
Precisamos ser muito competentes e produtivos, mas também precisamos de tempo para viver, experimentar as sensações da vida, sentir o mundo a nossa volta e acordarmos felizes para enfrentarmos o dia de hoje em toda a sua essência.
Temos que olhar a nossa volta e percebermos a presença das outras pessoas… nossos amigos…. nossos irmãos… familiares e especialmente nossos filhos. Nunca foi tão importante estamos mais próximos deles.
O momento presente existe para ser plenamente vivido. A prosperidade do amanhã, depende de nossos comportamentos no presente.
A vida é única e insubstituível. Viver no passado ou no futuro é jogar uma parte da vida fora.
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