Acredito, observando as evidências, que a maioria das pessoas prefere o verão e a primavera, ao outono e inverno. E a razão para isso pode ser simples de entender, principalmente em uma cidade gelada como Curitiba em que são raros os dias realmente repletos de sol e na qual, por vezes, as quatro estações acontecem todas no mesmo dia. Em meu caso, descobri que gosto mais de uma estação em particular: aquela que estou vivendo agora!
Se a primavera pode ser comparada à infância descompromissada e o verão à fase adulta em que ainda nos sobram forças, sinto aos quarenta e três anos a clara aproximação do outono. Sim, sei que não sou tão velho a ponto de perceber falta de disposição para realizar qualquer tarefa (uma das marcas do inverno) e ainda me sinto em pleno vigor para perseguir meus mais ousados projetos e objetivos.
Tenho muito por fazer, por escrever, lugares para conhecer e pessoas para ajudar.
Apesar disso, não posso negar, percebo que com o tempo perdi um pouco da energia que possuía quando era mais jovem, assim como vejo o branco do inverno já assumindo grandes proporções em meus cabelos. Então procuro entender: como lidar com este fato?
Como posso encontrar significado em meu inevitável envelhecimento, condição que é inerente a todos os seres que habitam este planeta?
E a resposta que encontrei para essa questão é: não devo sofrer com o que perdi ou ainda perderei, pois entendo que a vida tem sido generosa, compensando cada perda com ganhos muito mais significativos. Por exemplo, observo que com a maturidade já não preciso da mesma energia que tinha em minha adolescência, pois agora sou capaz de realizar muito mais com muito menos com uma precisão e assertividade nas ideias e ações, que antes não possuía.
Além disso, estou mais calmo e essa nova postura beneficia quem precisa conviver comigo, pois compreendo que excesso de energia também pode significar falta de foco. Vejo ainda que atualmente consigo ajudar outras pessoas com orientações em minhas palestras, livros e coaching, coisas que só posso oferecer por ter acumulado experiência como um subproduto de uma vida muito bem vivida, na qual aprendi valiosas lições com meus inúmeros erros.
O valor de minha hora trabalhada também foi multiplicado muitas vezes quando comparado aos meus primeiros empregos – uma prova de que o mercado paga por know-how e não por trabalho. E, é claro, know-how só vem com o tempo!
Por isso, no lugar de tentar acreditar que exista a tal “melhor estação da vida”, prefiro entender que terei sabedoria para desfrutar o melhor que cada uma pode me proporcionar. Assim, aqui me despeço, pois, como estamos no horário de verão, quero aproveitar a dádiva deste sol das dezenove horas para passear com minhas cachorras e em companhia de minha esposa. Afinal, se as estações passam, sei que é a forma como escolhemos vivê-las que define se serão ou não uma eterna primavera!
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