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Pare de usar o resultado do seu DISC como desculpa pelos seus deslizes nos relacionamentos

PARE DE USAR O RESULTADO DO SEU DISC COMO DESCULPA PELOS SEUS DESLIZES NOS RELACIONAMENTOS

Você já deve ter ouvido falar das pessoas com “síndrome de Gabriela” – sempre que eu uso
essa frase alguma Gabriela fica brava comigo e aqui como estou falando para milhares ou até
milhões de pessoas, muitíssimas delas poderão ficar indignadas mesmo – quando alguém se
referia a uma pessoa que é assumidamente inflexível com seus “defeitos”. A fala é quase
sempre a mesma e vem formada por frases como “Ah, eu sou assim mesmo”, “Se me quer tem
que me aceitar assim mesmo”, “Vivi até hoje desse jeito e não vou mudar”, “Pau que nasce
torto nunca se endireita” e muitas outras. Em um exercício de autoconhecimento como o
Assessment DISC, o que se espera muitas vezes dos indivíduos participantes é que estes
sensibilizem-se ao que significa o seu DISC e busquem melhorias no sentido de reduzir seus
comportamentos inadequados.

Mas, como diz minha filha: “Só que não!”. Muitas pessoas utilizam o resultado de seu DISC
como desculpa para seus comportamentos inadequados e assim justificar seus deslizes nos
relacionamentos interpessoais. Ouço muito coisas como: “Tá vendo! Eu sempre soube disse e
agora está aí escrito!” em um tom quase que de comemoração pela ciência ter ratificado que
seu comportamento é este.

Muitas pessoas utilizam o resultado de seu DISC como desculpa para seus comportamentos inadequados e assim justificar seus deslizes nos relacionamentos interpessoais

É aí que, na minha opinião, entra a riqueza do trabalho do Analista Comportamental. Ao
contrário do que você pode pensar, o papel dele não é o mesmo do Coach, embora quando
combinadas as duas coisas o resultado pode ser fabuloso. Sua função é de apoiar o indivíduo
respondente da pesquisa comportamental DISC na interpretação do resultado de seu
Assessment de modo que ele possa sair daquela reunião com vários insights e com substância
suficiente para promover mudanças positivas no seu comportamento e que refletirão em uma
maior qualidade nos seus relacionamentos tanto profissionais como pessoais.

(Leia também: Pensando no DISC: Existe como mudar de Perfil?)

O Analista Comportamental, na maioria das vezes, tem apenas o momento da sua reunião
devolutiva de Assessment para mostrar ao seu cliente que existem comportamentos
inadequados, ou melhor dizendo, ruins em sua conduta e que eles podem estar estragando
seus relacionamentos, distanciando-o de oportunidades e minando sua felicidade. A reunião
devolutiva não pode ser uma mera leitura do relatório que ele preparou, mas sim um grande
alinhamento sobre como aquela pessoa enxerga a vida, seus valores e sua expectativa quanto
ao resultado deste trabalho.

Portanto, esse artigo é um recado para você que é Analista Comportamental, no sentido de
ressaltar a importância e a profundidade do seu trabalho e recomendando que você não
desperdice uma boa oportunidade de assinalar ao seu cliente os riscos de continuar agindo da
forma como ele age. E é um recado também para você cliente de Asssessment, no sentido de
ressaltar a importância da sua sensibilização aos comportamentos possivelmente inadequados
que possam ser assinalados pelo seu Analista Comportamental. Afinal de contas, a síndrome
de Gabriela não combinada nada com você.

Ah, e se você se chama Gabriela, não fique brava comigo não. Seu nome é lindo e só foi
replicado aqui de maneira coloquial. Ok?