Sabe aquela sensação de rir até a barriga doer, sem conseguir controlar? Daquela insegurança antes de uma apresentação importante que chega a dar nó no estômago? Da ansiedade frente a uma prova difícil? Da alegria espontânea e incontrolável de ganhar em um sorteio ou um presente inesperado?
Quem nunca? Pois saiba, essas são manifestações de sua criança interna.
Isso mesmo, embora sejamos adultos, profissionais, maduros e cheios de responsabilidades, cada um de nós carrega consigo uma criança, aquela criança que um dia fomos e que ainda somos em muitos momentos de nossas vidas.
É importante saber que essa criança nunca desaparece. Infelizmente, é bem comum esquecermos dela à medida que vamos abraçando os papéis que temos na vida adulta. A rotina, as tarefas e tudo o que nos propomos em termos de conquistas e realizações, não incluem essa criança, que aos poucos fica sozinha em um cantinho esquecido de nossa psique.
Contudo, ela continua ali (Leia também: Produtividade e Analise Transacional). Mesmo não sendo lembrada, ela existe e muitas vezes aparece quando baixamos a guarda, seja por um momento de fragilidade, tristeza, euforia plena, decepção, medo, ou qualquer situação sob a qual não conseguimos ter controle. Nesses momentos, a criança que um dia fomos, reaparece.
Esse reencontro, essa presença de nossa criança poderia ser algo muito bom e produtivo, pois a leveza, flexibilidade e espontaneidade da criança é muito bem vinda para sermos adultos saudáveis e integrados. O que ocorre, porém é que por raramente darmos Permissão para se manifestar e atenção para essa face importante de nossa personalidade, alimentamos uma criança, assustada, temerosa, confusa, insegura que por estar sempre sozinha, pode sentir-se inadequada, incapaz e não desejada, influenciando com essa bagagem nossos sentimentos, pensamentos e ações no momento presente.
“Embora sejamos adultos, profissionais, maduros e cheios de responsabilidades, cada um de nós carrega consigo uma criança, aquela criança que um dia fomos e que ainda somos em muitos momentos de nossas vidas.”
A postura segura que almejamos como adultos profissionais pode dar lugar ao medo, receio na tomada de decisões, dificuldades em assumir desafios e tantos outros sentimentos que podem nos fragilizar e nos afastar de nossos sonhos e desejos mais profundos.
Como fazer para desfrutar da alegria, criatividade e fluidez de nossa Criança Livre, sem ficarmos amedrontados e aprisionados nos receios da Criança Adaptada e Submissa?
Penso o primeiro passo é acessar, aceitar e Proteger nossa criança interior. Deixar claro nossa admiração pelo que conseguimos ser, fazer e decidir com os recursos que tínhamos quando crianças. Procurar acalentar, abraçar e tranquilizar-nos naqueles momentos de desilusões e medo, enfatizando que como já crescemos, estamos ali juntos, de mãos dadas, para o que der e vier. Importante silenciar a voz da crítica, da culpa, do julgamento e repreensão, buscando repetir que ‘está tudo bem’, ‘tudo vai ficar bem’, ‘você não está mais sozinho’.
Além disso, é fundamental criar situações prazerosas onde essa criança queira estar presente e sinta-se convidada, com Permissão para se expressar. Uma boa questão a ser respondida é: do que nossa criança gosta? É de brincadeira? Doçuras? Amigos? Pintar, desenhar, criar? Seja o que for, é fundamental dar espaço para que essa criança se manifeste em sua plenitude, alimentando com isso sua capacidade criadora, imaginativa e sonhadora, que se integra, se relaciona, fala o que sente de forma espontânea e tranquila.
Estimular o desenvolvimento de nossa criança interna de forma saudável, protegendo-a continuamente possibilita o fortalecimento de nossa atuação profissional, garantindo que nosso adulto fique atento para posicionar-se de forma segura, coerente e principalmente muito Potente.
A Análise Transacional fala sobre os 3 P´s destacados nesse texto, enfatizando que uma vida autônoma e saudável é viabilizada pela ‘Permissão, Proteção e Potência’.
Originalmente, para Eric Berne, a permissão é um elemento central do crescimento da criança, assim é fundamental dar Permissão à presença e manifestação de nossa criança interna, com Proteção e apoio, a fim de que sinta-se segura e adequada. Esses movimentos contribuirão para o fortalecimento de nossa Potência, na vida adulta, em quaisquer de nossos papéis sociais, seja pessoal ou profissional, proporcionando posicionamentos seguros, com leveza e autonomia.
Pense nisso, o que você pode fazer pela sua criança interna hoje? Como pretende contribuir para sua maior segurança como adulto e fortalecer sua postura profissional?