Durante o período das eleições norte-americanas, discutiu-se muito sobre promessas do retorno de empregos da indústria de manufatura para os EUA e como isto poderia ser feito.
Um dos focos da discussão foi a cidade de Rochester, cidade próxima à fronteira com o Canadá onde surgiram Xerox e Kodak, duas das maiores empresas do mundo até a década de 90 e
agora muito próximas da irrelevância.
O problema de Rochester, que também vemos em outras cidades ao redor do mundo é que a força de trabalho da região foi treinada para atividades específicas na área de manufatura, em
uma época que a tecnologia ainda não estava tão desenvolvida, então quando estes empregos
desaparecem, seja pela má gestão das empresas ou simplesmente pelas inovações tecnológicas, as pessoas ficam sem emprego e sem empregabilidade, precisando se reinventar, quando muitas vezes não tem o perfil ou a condição econômica para isto.
Então para quem estranhou o resultado da eleição dos EUA com a vitória do Donald Trump
(votei na Hillary, mas tenho que analisar friamente o cenário do resultado), um dos motivos foi
a angústia desta parte da população em alguns estados que levava uma vida perfeita de classe
média, com um bom emprego e benefícios, mesmo sem uma educação superior e que nos
últimos anos viram seus empregos desaparecerem e sua posição na pirâmide social despencar.
Por que resolvi trazer essa questão para um post de um blog de RH? Porque a chave aqui é que
as empresas ainda têm muita dificuldade em incentivar o desenvolvimento de talentos que
podem suportar tanto os profissionais quanto as próprias empresas em seus planos de longo
prazo, considerando as mudanças que a tecnologia trouxe a ainda trará.
Se estamos dando lucro hoje e os profissionais entregam exatamente o que precisamos, porque vamos aumentar nossos custos e prover conhecimento que o funcionário não usará para maximizar meus lucros? Vou investir para que ele leve esses conhecimentos para algum outro lugar?
(Leia também – Pessoas certas nos lugares certos)
Essa falta de entendimento da nova geração, onde os profissionais são movidos por desafios
de projetos ao invés de perspectiva de carreira e que existe uma necessidade intrínseca de
saber cada vez mais, faz com que muitas empresas percam oportunidades de maximizar o
talento de seus profissionais em outras funções, com uma visão extremamente limitada de
resultados a curto prazo.
as empresas ainda têm muita dificuldade em incentivar o desenvolvimento de talentos
Todos no ambiente de RH sabem o quanto custa atrair, encontrar, contratar e treinar alguém.
Posso garantir que este custo é muito maior do que o investimento necessário para prover
conhecimento de forma contínua a estes profissionais, mantê-los motivados, fomentar a
inovação e garantir uma longevidade do negócio, ao invés da visão simplista de longevidade da
carreira do profissional na empresa.
Hoje é fácil mapear os pontos em que empresas como a Xerox e Kodak erraram em sua
abordagem de marketing e produto. Infelizmente, as consequências se estenderam não só aos
profissionais que perderam seu emprego, mas também a comunidade, que viu os índices de
criminalidade dispararem e pessoas despreparadas apresentarem uma dificuldade enorme
para descobrirem uma nova oportunidade ou até mesmo profissão.
(Que tal ler também – Inovação e Pessoas)
Os profissionais de RH precisam estar atentos e serem os guardiões dentro das empresas desta
cultura de prover conhecimento aos profissionais, não somente de natureza técnica, mas
também de outras áreas que possam ajudar em sua empregabilidade e mantê-las mais
conectadas ainda as suas empresas por enxergarem este investimento em seus talentos.
Como mostrar a alta direção que este investimento não é um custo que reduzirá as margens e
sim viabilizará o desenvolvimento da empresa no futuro?
Este é o grande desafio que a área de RH precisa resolver no curto prazo, para aumentar seu valor nas decisões das empresas.
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