Na última semana ministrei o curso de Análise Transacional – AT 101 para uma turma bastante heterogênea. Uma maravilhosa mescla de seres humanos desejosos em desenvolver-se cada vez mais. Doze pessoas de diferentes áreas de atuação, com formação, faixa etária e crenças distintas, mas com um foco em comum: Aprender, conhecer mais as pessoas e conhecer mais a si mesmos.
Inicialmente, a expectativa de compreender mais sobre as pessoas e como lidar com elas em diferentes situações foi quase unanimidade entre eles e à medida que os temas do curso foram trabalhados, tal expectativa foi se colocando em segundo plano. Evidenciada a importância do “conhece-te a ti mesmo”, perceberam que ao se conhecer melhor, terão mais condições de também conhecer o outro. E que para mobilizarmos mudanças no meio em que vivemos, é necessário permitir mudanças internas, ou seja, tudo começa em nós!
O ser humano é um ser abundante, que transborda o que ocorre internamente.Transbordamos crítica, quando a autocrítica é intensa, transbordamos paz, quando nosso coração está tranquilo, transbordamos compreensão quando nos aceitamos em nossas limitações e podemos transbordar amor aos outros quando nossa cota de amor próprio está suprida.
Uma das preocupações na maioria dos grupos que coordeno e não foi diferente nessa turma, é como conseguir colocar em prática o que aprenderam. Como ser assertivo quanto ao uso das ferramentas aprendidas. Como manter-se equilibrados mediante pressão e como escolher as palavras certas e não entrar em jogos, enfim, como de fato conseguir fazer diferente, pois na percepção de todos “mudar é difícil”, uma vez que tanto nós, quanto as pessoas ao nosso redor, estamos acostumados a agir sempre da mesma forma.
(Leia também – Aprender é gravar no cérebro)
Muitos treinandos expressam o receito de que as pessoas à sua volta podem estranhar sua forma diferente de agir, ou mesmo que pode parecer meio mecânico ou artificial sua nova conduta, uma vez que não se tem por hábito agir assim.
Pois minha resposta a essa inquietação é o lema do escotismo: “Sempre Alerta” e “Melhor Possível”, ou seja, estar consciente, alerta, conectado no aqui e agora e praticar. Treinar bastante, experimentar colocar em prática e fazer o melhor possível, na direção de novos comportamentos, tendo a certeza de que iremos falhar, que vai dar branco em alguns momentos, que vamos nos perceber e não saber como agir em muitos momentos e tudo bem! Tudo bem em não ser perfeito, tudo certo em não fazer certinho nas primeiras vezes… faz parte. É aprendizado. Tá tudo bem! É a prática que irá modelar os novos comportamentos e estar alerta, atento e consciente é o primeiro passo. (Que tal ler também – A dor da aprendizagem)
podemos transbordar amor aos outros quando nossa cota de amor próprio está suprida
Tenho percebido que quando se trata de novos comportamentos, temos muitas vezes a expectativa de que após conhecer algo, já iremos sair fazendo tudo de forma diferente e correta! Queremos incorporar a nova forma de agir de maneira natural e fluída como se fizéssemos assim há anos. Isso é impossível! É como fazer uma única aula de inglês e sair bilíngue. Por mais que isso seja um desejo, não existe! Não tem como! Não é real!
O risco de alimentar esse desejo impossível e irreal é que qualquer tentativa sem êxito pode ser a justificativa para não mudar, confirmando crenças de que “não tem jeito”, “não consigo”, “é difícil” e tantas outras afirmações que nos convencem a fazer sempre da mesma forma.
Realidade é perceber que como em qualquer outra área da vida, ficamos muito bons naquilo que repetimos, experimentamos e treinamos com vontade e compromisso. Com aprendizado de novos comportamentos também é assim!
Aprendizado é passo a passo, dia após dia. É enxergar diferente, ver por outro ângulo e buscar novas possibilidades de ação. É se permitir experimentar e ver no que dá, como uma criança esperta e curiosa que fica instigada por conhecer e descobrir. Que fica atenta, de olho em tudo, para descortinar o desconhecido, para se surpreender com as descobertas e, sobretudo, para se deliciar com as surpresas desse novo olhar!
(Confira também Atitudes e Crenças que nos impedem de sair da zona de conforto )
Concluí essa última turma de AT 101 muito feliz! Transbordando de satisfação e auto realização.
Os depoimentos dos participantes demonstram que seu “olhar mudou”, que puderam perceber outras formas de enxergar os fatos do dia a dia. Saíram com a percepção de que sua visão foi ampliada e desafiados para colocar em prática os conhecimentos aprendidos. Como “crianças livres”, saíram provocados para exercitar-se e experimentar-se nessa nova versão de si mesmos, brincando de ser e aprender!
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